O ativista social Pedro Mateus Manuel tornou pública, neste domingo 27, uma carta aberta dirigida à governadora do Cunene, Gerdina Didalelwa, onde manifesta preocupação com os critérios adotados para as últimas homenagens realizadas na província.
by. DIÁRIO INDEPENDENTE
Na mensagem, o ativista começa por saudar a governadora pela sua recente deslocação a Luanda, expressando esperança de que a visita tenha resultado em benefícios concretos para a região. Contudo, levanta críticas quanto à prioridade dada a certos investimentos e, sobretudo, à escolha das personalidades distinguidas, que, em sua visão, não refletem o verdadeiro mérito ou solidariedade.
“Precisamos de ter mais responsabilidade ao instituirmos práticas que incentivam a solidariedade, as boas ações públicas e que ressaltam o mérito. Esse não é o verdadeiro objetivo das homenagens públicas?”, questiona Pedro Manuel.
Entre os nomes que, na sua ótica, foram injustamente esquecidos, o ativista aponta o falecido Abel Kaitungua, lembrado como referência de sabedoria e solidariedade, considerado por muitos como o “Luther Rescova do Cunene”. Cita ainda o jovem Aguinaldo Ngulana, que representou a província em concursos nacionais de beleza e promoveu a gastronomia local em eventos internacionais.
Também são destacados nomes como Posterado, conhecido pelo rigor disciplinar e pela formação de quadros, e Hector Charles Morais, recordado pelo apoio alimentar prestado em momentos difíceis à população do Cunene.
Apesar das críticas, o ativista reconhece a justeza da homenagem atribuída à CFRL, sublinhando que a atuação desta instituição tem sido fundamental para a melhoria das condições sanitárias nos bairros da província.
Pedro Manuel alerta, no entanto, que muitas das homenagens acabam por ser atribuídas a pessoas pouco conhecidas da sociedade civil, enquanto outros, com contributos significativos para a província, permanecem esquecidos.
A carta aberta, segundo o autor, é um exercício de participação cidadã e de liberdade de expressão, consagrados na Constituição da República de Angola (CRA/2022), e visa fomentar reflexão, diálogo e transparência na gestão pública.

