O Conselho Nacional da Juventude (CNJ) enfrenta uma das maiores crises de legitimidade da sua história, com denúncias que colocam o presidente cessante, Isaías Kalunga, no centro de um alegado esquema de manipulação eleitoral.
Segundo fontes internas, Kalunga estaria a recorrer à corrupção, compra de apoio de associações membro e ao afastamento de potenciais rivais, numa tentativa de prolongar a sua permanência no cargo, apesar de o seu mandato já ter terminado.
A crise tem como pano de fundo o n.º 2, alínea a), do artigo 76 dos Estatutos do CNJ, que estipula que apenas jovens entre 18 e 30 anos podem concorrer à presidência. Kalunga, que já ultrapassou o limite etário, estaria a insistir em concorrer, o que, segundo especialistas, representa uma flagrante violação dos regulamentos internos.
Para contornar a inelegibilidade, Kalunga teria montado um plano alternativo, promovendo o Secretário Executivo de Luanda, Alberto Dala, também inelegível pela idade, apenas como “figura de fachada”, mantendo assim o controlo da organização nos bastidores.
O clima de tensão agravou-se com o afastamento de Wilson Domingos, ex-Secretário-Geral do CNJ, que foi destituído após acusações nunca provadas. Fontes internas afirmam que a medida visou impedir que Domingos concorresse à presidência, uma vez que ele era visto como um dos candidatos mais fortes e com maior apoio entre as associações membro.
Em meio ao escândalo, cresce a exigência por renovação geracional. Jovens líderes surgem como alternativas legítimas e estatutariamente elegíveis para dirigir o CNJ:
*Cumbi Júnior – Presidente da ANJE e referência no empreendedorismo juvenil.
Hugo Branco – Líder da ACPA, conhecido pelos seus projectos sociais de impacto.
Hermenegildo Cazequene – Presidente da ADEJA, com forte presença em programas comunitários.
Carlos Denilson – Da ACIS, estrategista político que, apesar de já ter sido director de gabinete de Alberto Dala, prefere atuar nos bastidores.

