Luanda – A implementação de Zonas Económicas Especiais Agrícolas (ZEEA) é vista como estratégia fundamental para potenciar a Reserva Estratégica Alimentar (REA) e reduzir a dependência externa de Angola, de acordo com uma análise recente apresentada pelo investigador Verdim Ângelo Pandieira José.
Segundo o estudo, embora cerca de 68% da população dependa da agricultura, apenas 15% das terras aráveis do país são atualmente cultivadas. Este cenário explica a elevada importação de alimentos básicos e a vulnerabilidade da segurança alimentar nacional.
Em 2022, a REA movimentou 500 milhões de dólares em produtos da cesta básica, com impacto direto na estabilização de preços e no abastecimento. A meta é reforçar este mecanismo, que já beneficiou milhares de famílias e empresários ao reduzir margens comerciais excessivas.
A proposta sugere a criação de cinco ZEEA piloto até 2030, integrando centros de investigação, unidades de transformação agrícola, sistemas modernos de armazenamento e zonas francas de exportação. A expectativa é de que estas medidas possam aumentar em até 40% a produção nacional de grãos, reduzir importações em cerca de 25% e criar 250 mil empregos diretos.
O documento compara ainda experiências de países como Brasil, China e Índia, onde políticas semelhantes impulsionaram a produção agrícola, geraram emprego e garantiram maior autossuficiência alimentar.
A análise conclui que a convergência entre a REA e as ZEEA poderá tornar-se um marco histórico para o desenvolvimento agrícola angolano, desde que acompanhada por investimentos em insumos, mecanismos transparentes de governança e integração logística eficiente.
By: Verdim Ângelo Pandieira José

