O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia esta terça-feira, 2 de setembro, a fase decisiva do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de envolvimento numa alegada tentativa de golpe de Estado. O processo deverá prolongar-se até 12 de setembro e pode resultar numa pena superior a 30 anos de prisão.
Na véspera, o STF ordenou o reforço da vigilância em torno da residência do ex-chefe de Estado, em prisão domiciliária desde o início de agosto. A medida visa impedir uma eventual fuga ou pedido de asilo diplomático. De acordo com a Polícia Criminal, todas as entradas e saídas da casa estão a ser rigorosamente controladas.
Ainda não está confirmado se Bolsonaro, de 70 anos, participará presencialmente na audiência ou se o fará por videoconferência, devido ao seu estado de saúde. Fontes da imprensa brasileira revelam que o ex-presidente enfrenta problemas de esofagite, enquanto o seu filho, Carlos Bolsonaro, relatou em redes sociais episódios recorrentes de soluços e vómitos.
O julgamento será conduzido por um painel de cinco magistrados do STF, que têm até 12 de setembro para deliberar. Bolsonaro, que rejeita as acusações, responde por cinco crimes relacionados com a alegada tentativa de usurpar o poder.
O caso desperta grande atenção internacional, sobretudo após o presidente norte-americano, Donald Trump, criticar o processo e associar a imposição de tarifas de 50% sobre produtos brasileiros à situação judicial do aliado. As declarações foram classificadas como uma tentativa de ingerência e motivaram reações nacionalistas de figuras de diferentes esferas do poder no Brasil, incluindo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Este é o primeiro julgamento de um ex-presidente no Supremo Tribunal Federal desde a redemocratização do país, o que lhe confere um peso histórico sem precedentes.

