O ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Lavrov, acusou esta segunda-feira os países ocidentais de tentarem bloquear as negociações de paz referentes ao conflito na Ucrânia, numa altura em que os esforços diplomáticos parecem estagnados.
Em entrevista à televisão estatal russa Rossya, citada pela agência *France-Presse*, Lavrov afirmou que os governos ocidentais “procuram apenas um pretexto para impedir as conversações”.
O chefe da diplomacia russa criticou ainda a postura do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, acusando-o de “insistir em condições rígidas e exigir, a qualquer preço, um encontro imediato” com Vladimir Putin.
Relativamente às ameaças de novas sanções caso Moscovo não avance com negociações, Lavrov considerou tratar-se de “uma tentativa de interferir no processo iniciado entre os presidentes Putin e Donald Trump, que já tinha produzido resultados positivos”. O ministro acrescentou esperar que tais pressões “não tenham sucesso”.
As declarações foram divulgadas no mesmo dia em que a Ucrânia assinala o 34.º aniversário da sua independência. Recorde-se que Trump mediou recentemente contactos entre Moscovo e Kiev, que incluíram uma cimeira com Putin no Alasca a 15 de agosto e, três dias depois, uma reunião em Washington com Zelensky e aliados europeus.
Apesar das iniciativas, as diferenças entre as duas partes continuam profundas. Moscovo mantém sob controlo cerca de 20% do território ucraniano, incluindo a Crimeia, anexada em 2014. Kiev, por sua vez, rejeita qualquer concessão territorial e insiste no restabelecimento das fronteiras de 1991.
Enquanto se multiplicam acusações mútuas sobre quem bloqueia um eventual encontro entre Putin e Zelensky, Trump anunciou que deverá definir dentro de duas semanas a sua posição sobre o futuro do conflito.

