Luanda — A Unidade da Guarda Presidencial foi acionada nesta segunda-feira para atuar em resposta à paralisação nacional organizada por associações de taxistas, em protesto contra o recente aumento dos preços dos combustíveis em Angola.
Fonte: O Decreto
Conhecida por seu elevado nível de treino e por ser uma força de elite, a Guarda Presidencial está a operar em conjunto com as Forças Armadas Angolanas e a Polícia Nacional. As autoridades atuam de forma discreta nas ruas da capital, com ordens específicas para localizar e responsabilizar criminalmente os líderes da manifestação.
Além das operações nas vias públicas, elementos desta unidade foram posicionados nas imediações do Palácio Presidencial, a fim de prevenir possíveis tentativas de ocupação ou distúrbios naquela zona sensível.
No decorrer dos protestos, surgiram relatos de perseguição a dirigentes das associações de taxistas. João Manuel Cardoso D’El, vice-presidente da ANATA, foi supostamente raptado e obrigado a gravar um vídeo sob coação, estando seu paradeiro atual desconhecido. Alexandre Barros, secretário-geral da A-MBAIA, também abandonou a sua residência e não foi localizado até o momento.
A manifestação surge na sequência de uma série de protestos populares desencadeados pela escalada dos preços dos combustíveis, agora fixados em 400 kwanzas para o gasóleo e 300 kwanzas para a gasolina. O movimento dos taxistas sucede às ações já promovidas por estudantes e outros grupos sociais nas últimas semanas.
A paralisação dos táxis causou um colapso nos transportes urbanos em diversos bairros da cidade de Luanda, incluindo zonas como Golf 2, Estalagem, Escongolenses, FTU e Zango. Muitos cidadãos foram impedidos de chegar aos seus locais de trabalho, e houve tensão com motoristas de viaturas particulares, acusados de realizar transporte clandestino.
A Polícia Nacional confirmou episódios de vandalismo em algumas avenidas da capital e utilizou gás lacrimogéneo para dispersar grupos de manifestantes. As autoridades asseguram que estão a ser tomadas medidas para restaurar a ordem pública.
Até o momento, não há confirmação de feridos ou danos materiais significativos. Os organizadores do protesto prometeram manter a paralisação por pelo menos três dias, até que haja uma resposta das autoridades em relação às suas reivindicações.

